Baú: Thomas E. Skidmore

Extraído da edição 84 da Enclave, a newsletter do Jornal RelevO. A Enclave, cujo arquivo inteiro está aqui, pode ser assinada gratuitamente. O RelevO pode ser assinado aqui.

O golpe de 10 de novembro foi o triunfo do desejo de Vargas, evidente havia muito tempo, de permanecer no cargo além do mandato legal, que expiraria em 1938. Desde 1935 ele empurrava os adversários para uma posição em que lhe fosse possível desacreditá-los ou refreá-los, ao mesmo tempo que, cuidadosamente, cultivava o apoio de bem estabelecidos grupos de poder, como os cafeicultores e a cúpula militar. Para apaziguar os cafeicultores, por exemplo, em outubro de 1937 Vargas havia baixado o teto dos preços do café brasileiro, num esforço para aumentar as vendas (e, quem sabe, a renda total das exportações) no exterior. No que dizia respeito aos militares, o comando do Exército planejava uma solução autoritária para a crise política brasileira desde a revolta comunista de novembro de 1935. A cúpula militar achava que o Brasil não tinha capacidade para aguentar a confusão e a indecisão da disputa política aberta, e amedrontava-se com a possibilidade de novos avanços dos radicais de esquerda – que, se um dia chegassem ao poder, poderiam acabar com o papel de árbitro supremo dos conflitos políticos exercido pelas Forças Armadas. No fim das contas, o golpe de 1937 foi possível porque a classe média, esse pequeno mas importante grupo social capaz de assegurar o equilíbrio de qualquer sistema de eleições livres restrito a eleitores alfabetizados, estava confusa e dividida. Alguns eleitores de classe média continuavam leais a seu tradicional constitucionalismo liberal, e depositaram suas esperanças em Salles Oliveira na campanha de 1937. Outros, perdida a confiança em seu liberalismo original, voltaram-se para o radicalismo de esquerda ou de direita. Ao fazer isso, admitiram na prática que a fórmula liberal já não se aplicava ao Brasil e que estavam, portanto, preparados, ainda que inconscientemente, a aceitar, quase sem protesto, o tipo especial de autoritarismo que Vargas impôs, de súbito, em novembro de 1937. O golpe de novembro de 1937 fechou o sistema político. E todas as questões de força eleitoral nas eleições marcadas para janeiro de 1938 se tornaram acadêmicas.

Thomas E. Skidmore, Brasil: de Getúlio a Castello (1930-64), 1967 (Companhia das Letras, 2010).

Lista: fotos do Hindenburg

Extraído da edição 44 da Enclave, a newsletter do Jornal RelevO. A Enclave, cujo arquivo inteiro está aqui, pode ser assinada gratuitamente.

Hindenburg foi um zepelim construído no início dos anos 1930 pela Alemanha nazista para ser uma aeronave comercial, visando ao transporte transatlântico de passageiros e, de quebra, à propaganda política. Ficou famoso tanto pela sua imponência e alta classe das suas instalações quanto pelo desastre espetacular que marcou o fim da era dos dirigíveis. Eis alguns belos registros dessa imensa aeronave cheia de nitrogênio:

LZ 129 Hindenburg
Hindenburg em seu primeiro voo, 1936
LZ 129 Hindenburg
Detalhe da cabine
LZ 129 Hindenburg
O Hindenburg é até hoje a maior aeronave a ter voado. Acima, a comparação com um Boeing 747
LZ 129 Hindenburg
Hindenburg sobre o Rio de Janeiro
LZ 129 Hindenburg
Salão de jantar

LZ 129 Hindenburg

LZ 129 Hindenburg
Writing room (não deixe essas cafeterias descolex descobrirem isso)
LZ 129 Hindenburg
Cabine de passageiros
LZ 129 Hindenburg
Cabine de controle
LZ 129 Hindenburg
Salão de fumantes, o lugar mais popular entre os passageiros do dirigível
LZ 129 Hindenburg
Panfletos com informações aos passageiros: a distância entre América e Europa correspondia a dois dias e meio de viagem