Sensos e generosidades

Editorial extraído da edição de junho de 2022 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos editoriais, clique aqui.


O RelevO sempre se diferenciou de uma organização com fins lucrativos – não só pela desorganização de seus primeiros anos e pela incapacidade de lucrar, contínua – e se assemelhou a uma instituição, operacionalmente. Não entendemos, de forma alguma, que o nosso impresso mensal de literatura desenvolva atividades como as de hospitais, universidades e igrejas (sequer temos crenças). Todavia, acreditamos que temos alguma relevância (com o perdão do trocadilho) tanto em quesitos editoriais como de acessibilidade ao nosso trabalho, que busca apresentar novos autores e descentralizar perspectivas do meio literário (o que também não sabemos se conseguimos, dada a nossa limitação logística). De fato, muito do que fazemos é pelo senso livre e particular de gostar do que fazemos – e de primar absolutamente por continuidade.

Nesses quase 12 anos de existência, apostamos muito em nosso senso de comunidade, promovendo a autocrítica constante, criando o cargo de ombudsman, abrindo ao leitorado as cartas mais negativas possíveis e divulgando o nosso balanço financeiro mensalmente. Não temos vergonha de nossos índices e práticas, que até poderiam ser chamadas de modelo de negócio caso tivéssemos certeza que chegamos até aqui com um plano.

A transparência é um pilar do nosso projeto editorial e não negamos que utilizamos desse expediente para a publicidade de nossas ações. Pagamos os autores e autoras e divulgamos isso. Confiamos em nosso corpo de assinantes para superar crises. Esforçamo-nos para entregar, todo mês, o melhor periódico que conseguimos.

Se não apelamos diretamente para o slogan “Não deixe o RelevO morrer”, não deixamos de reconhecer que sempre expomos nossas fragilidades e dificuldades em busca de compreensão e de suporte financeiro. Também por isso, entendemos como necessário agradecer a cada um que ouve nossos chamados nas circulares mensais direcionadas aos assinantes, que nos escrevem depois de nos encontrar numa biblioteca do interior, gente que manifesta generosidade genuína e se compadece da nossa situação de busca simples por continuidade,. E é apenas isso que buscamos: continuar.

Obrigado. Boa leitura a todos.

Pedintes

Editorial extraído da edição de maio de 2022 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos editoriais, clique aqui.


Ao longo de quase 12 anos de existência & suas consequências, o RelevO fez algo além de circular mensalmente e colaborar para o desmatamento de reservas de reflorestamento: pedir.

Desde o dia da criação mental do Jornal, o que mais fazemos é pedir. Foi assim em agosto de 2010, quando conseguimos dois anunciantes para custear a impressão (quando conseguíamos imprimir 1000 jornais com R$ 200). Quinze dias depois, o Jornal começava a circular em não mais do que dez lugares do Paraná, diversos exemplares soltos no banco de passageiros do mesmo Gol 1994 que ainda hoje transporta os fardos coletados na gráfica (com custos que agora aumentam a cada três meses).

Em 2012, ambicionando a estabilidade e o fim da dependência exclusiva de anunciantes, começamos a vender assinaturas, que custavam, então, R$ 50 ao ano. Em pouco mais de dois meses de prospecções, tínhamos 100 assinantes e a esperança de que conseguiríamos mesmo imprimir um jornal de literatura com alguma regularidade. Neste período, demos alguns saltos que podemos considerar, hoje, como excessivamente arrojados para o nosso perfil de investimentos em mais de uma década.

A entrada de assinantes nos levou a tomar medidas de cunho organizacional. Precisávamos entregar os jornais e justificar a confiança daqueles que adquiriam 12 edições antes mesmo de receber a primeira. Ali, aprimoramos nossas planilhas, ampliamos nossa rede de distribuição para angariar mais leitores e chegamos a ter 25 anunciantes em 2015, com edições de 32 páginas e seis mil exemplares de tiragem.

Aí percebemos nosso teto de produção. Com fechamentos confusos e altos índices de erros de checagem, vimos que 32 páginas eram um excesso; também enxergávamos de maneira mais notória os efeitos da crise de formato, com o predomínio do digital e o fechamento de diversas marcas conhecidas da dita mídia tradicional. Tínhamos alguns sinais oscilantes: crescíamos, mas também gastávamos mais energia.

Em 2015, com o aumento de diversos custos (pois veja), como combustíveis e gráfica, começamos campanhas mais agressivas para ampliar o nosso fluxo de caixa. Não foram poucas as noites em que o editor do periódico escreveu para amigos, conhecidos, contatos e qualquer ser humano que pudesse gostar do nosso projeto editorial. “Que acha da ideia de assinar o Jornal RelevO?”. Foi em 2018 que chegamos a 1000 assinantes e pensamos: será possível ter mais assinantes? Acreditávamos que sim – e ainda acreditamos, hoje, com pouco mais de 1100 assinantes (patamar que não conseguimos ultrapassar desde 2019 e que não sofreu quedas severas com as permanentes crises econômicas).

Desde então, o cenário mudou muito. Os custos cresceram ainda mais, os hábitos de leitura mudaram — nos chamam de “experiência offline” —, tivemos uma pandemia, os índices de renovação caíram, as reclamações aumentaram. Ao mesmo tempo, solidificamos nossos processos, nos tornamos ainda mais antifrágeis e convivemos com alguma resiliência com o nosso cinismo, sem fazer clima de terra arrasada, mas também sem deixar de considerar os desafios do nosso meio de atuação.

A pandemia, sem dúvida, foi o momento em que mais pedimos, em que mais apelamos para o nosso senso de comunidade. Ao diminuir a tiragem, cessar a distribuição em pontos físicos e ter os custos aumentados em cadeia, temos cada vez mais dificuldades para abrir novos mercados e dependemos sobremaneira de nossos assinantes.

Não temos vergonha de pedir. Em nossas circulares, destinadas apenas a assinantes e colaboradores, contamos os nossos percalços e os esforços para manter em circulação o periódico que gostamos de seguir produzindo. Não são poucos os dias em que nos perguntamos se não estamos exagerando no drama. E 2022 está mesmo complicado.

Enquanto interessarmos como produto e como projeto literário, pediremos. Quando não for mais possível manter a Operação RelevO, ainda assim seremos gratos por tantos anos e anos em que os nossos pedidos viraram o pagamento de contas, a edição seguinte, a manutenção de nossa circulação. Somos mesmo muito gratos.

Uma boa leitura a todos.

De mudanças e sobrevivências

Editorial extraído da edição de abril de 2022 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos editoriais, clique aqui.


Conforme havíamos antecipado, a anuidade do RelevO finalmente subiu. Os R$ 60 que nos acompanhavam desde o fim de 2019 deram lugar a um pagamento anual de R$ 70. Os demais planos (apoiador e patrocinador) também tiveram reajustes proporcionais. Não estamos contentes, mas também não queremos ser repetitivos diante do que já descrevemos a respeito do aumento de custos para a operação do Jornal. Não podíamos seguir com os mesmos patamares de cobrança na medida em que os custos dispararam nos últimos três anos.

Neste espaço do editorial, geralmente tratamos dessa mesma operação. É a nossa oportunidade de comunicar mudanças maiores — ou simplesmente ideias fixas. Também temos o hábito de contextualizar nosso meio, com seus vícios e virtudes. Muitas vezes nos repetimos, afinal nossa existência não é tão emocionante. Somos uma espécie de relógio com algum defeito de fábrica não suficiente para a sua inviabilização funcional.

Recentemente, disponibilizamos todos os textos de nossos ombudsman no site do Jornal. Também migramos todas as nossas edições para lá, sem depender mais de domínios alheios. Elas constam em PDF, diagramadas, em suas versões finais. Porém, ao contrário do que às vezes se deduz de nosso ofício — hoje menos do que antes —, não temos interesse em migrar todo o conteúdo do RelevO, separadamente, para o nosso site. Isto é, cada texto, cada poema, cada contribuição enviada, mapeando a informação e disponibilizando-a por meio de endereços únicos.

Embora essa atitude pudesse aumentar o nosso tráfego (e, consequentemente, converter-se em assinaturas), o passo adiante na grande rede aproximaria nosso peculiar impresso de um ponto desconfortavelmente digital. Entendemos que o Jornal é um espaço de ampliação de vozes escritas do contemporâneo e de diversão para os envolvidos, o que nos leva a evitar a repetição de colaboradores. De modo paralelo, apostamos na mudança regular de ombudsman, cargo que aponta para outra direção importante: a transparência e a legitimidade do nosso senso de comunidade a partir de nossas características. Tudo isso nos afasta da individualidade e de certos mapeamentos da informação.

Sobrevivemos à era de blogs e à euforia (assumida) com as redes sociais. Esse é o nosso “antes”. Curiosamente, hoje nos questionam muito menos sobre a possibilidade de transformar o RelevO em uma “revista digital”. Também curiosamente, a experiência do Jornal como um veículo intrinsecamente impresso parece mais valorizada hoje do que há dez, oito, seis anos. Ao longo desses anos, sabendo exatamente quem somos, vimos muitos projetos, revistas digitais e demais páginas prioritariamente associadas à internet sumirem. Não somos um projeto que ambiciona ser o maior de seu segmento, tampouco aceitamos nossas limitações como desculpa para os nossos gaps (sobretudo logísticos e que não estão sob nosso controle na maior parte do tempo).

Por outro lado, se alguém resolvesse essa questão sem transtornos e de graça, não nos oporíamos. Enquanto houver esforço de nossa parte, porém, a ideia não entra em pauta. Podemos mudar de opinião a qualquer momento — nossa existência não é tão emocionante.

Uma boa leitura a todos.

De custo-Brasil e codependências

Editorial extraído da edição de março de 2022 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todos os nossos editoriais, clique aqui.


Nos últimos seis meses, o custo de gráfica do RelevO aumentou três vezes. O custo de itens de papelaria aumentou 20%. A conta de luz quase dobrou em relação ao mesmo período de 2020, ainda antes da pandemia. Lembramos, dia desses, uma época em que fazíamos a distribuição do Jornal em oito cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) com R$ 100 no tanque — o litro da gasolina saía por R$ 2,50 em 2016 e já reclamávamos de uma alta recente do período. Não bastando, os Correios, em fevereiro, aumentaram a nossa modalidade de envio, a MDPB, em 30%. Um envio simples para Curitiba, que antes custava R$ 1,60, hoje não sai por menos de R$ 2,10. Em uma escala de 1150 assinantes, trata-se de um custo a mais considerável – e que impacta diretamente nossas margens de lucro.

Não especialistas que somos, aqui não nos interessa discutir o contexto geopolítico que torna o Brasil cada dia mais caro (embora determinados fatores sejam o óbvio ululante rodrigueano), nem a própria questão dos recursos envolvidos. Acontece que este é o Brasil que se apresenta e onde queremos continuar fazendo o que fazemos. Não podemos negar que a realidade está mais complicada para projetos como o nosso por fatores que também complicam a vida de outros negócios – muito mais importantes – espalhados pelo país. Sabemos que alguns fatores estruturais dos quais somos codependentes fogem ao nosso controle, e ao menos temos a opção de pular fora de tudo isso sem comprometer a renda de famílias.

O primeiro impacto de vários aumentos simultâneos de custo é a dificuldade de manter os valores de assinatura. Carregamos a anuidade de R$ 60 da assinatura básica desde o final de 2019. Para comparação, em setembro de 2019, o litro da gasolina circundava R$ 4,50, cerca de 55% menos caro que a média atual da Região Sul, mais especificamente de Araucária, sede logística do RelevO. Aliás, foi nessa época que começamos a oferecer a possibilidade de adquirir assinaturas de patrocinador (R$ 80 e R$ 105), que contribuem para o custeio do envio a bibliotecas comunitárias e pontos culturais nacionais.

Em suma, quando aperta, transferimos nossos custos para quem nos compra. Não existe nenhum segredo nisso. Não temos um megainvestidor. Não somos ricos. Não temos cargos públicos. Não aproveitamos nosso capital simbólico para nos aparelhar no Estado. Contudo, nossa comunidade de leitores, formada principalmente por sujeitos de Humanas, não tem sido capaz de assimilar a contento o aumento da vida como um todo. Historicamente, nossa média de não renovações de vínculos sempre foi de R$ 20%. Hoje, oscila de 30 a 35%, com tendência de piora em meses de férias escolares, como janeiro e julho. Pode ser que isso também tenha relação com o nosso produto em si, mas acompanhamos em planilhas rotineiras as justificativas da não continuidade. Não é impressão nossa, mero achismo. O RelevO é um projeto cultural com uma malha de números.

Pretendemos seguir com o valor congelado da anuidade básica no mínimo até o meio de 2022, mas sabemos que, em breve, precisaremos reajustá-lo. Como sempre enfatizamos por aqui, vivemos, basicamente, de assinantes e de anunciantes. Não utilizamos ou buscamos dinheiro público, tampouco vendemos anúncios travestidos de espaço editorial. Em linhas gerais, estamos conectados ao que acontece no país e sofremos o impacto de uma crise que se estende por muitos anos – e que, naturalmente, arrasta com mais facilidade os peixes menores. Sobrevivemos ao auge da pandemia, mas a escalada de aumento de custos nos preocupa muito.

Afinal, o que estamos fazendo? Primeiro, evitamos voltar ao patamar de distribuição anterior à pandemia, quando distribuíamos em mais de 450 lugares do Brasil todo sem custo para os espaços que nos abriam as portas. Estamos com ações mais direcionadas, como a ampliação da distribuição em nosso raio de ação, e mantendo o foco na captação de novas assinaturas a partir de nossos canais digitais. Não é muito, mas é o que sempre acreditamos desde o início do Jornal, lá em agosto de 2010: ações direcionadas, contínuas e mensuráveis. Esperamos continuar.

Uma boa leitura a todos.

Saber ser novo, saber ser atual

Editorial extraído da edição de fevereiro de 2022 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos editoriais, clique aqui.


Todo começo de ano, buscamos aprimorar, modificar ou nos esquivar de determinados comportamentos típicos da nossa estrutura. Refém de ciclos como sempre fomos — isso de ser mensal nos conecta ao tempo do calendário —, vamos, ao longo do ano, empurrando alguns problemas. Por exemplo, a dificuldade de manter em dia a leitura dos originais que nos são enviados, bem como a aversão (ou simples inaptidão) notória que temos das redes sociais.

Com relação ao nosso primeiro déficit histórico, começamos o ano lendo quase mil textos, retirando no mínimo 50 que podemos ler, reler, olhar para o lado e dizer: “aí sim, aí sim”. Ainda temos aproximadamente 500 leituras pendentes. Em 2021, tivemos um aumento de 30% nas submissões de textos, o que consideramos um excelente fator de interesse — e um dado angustiante. Mais textos lidos (e aprovados) indicam a possibilidade de prover edições mais coesas, tanto editorial como graficamente.

Entretanto, há duas questões crônicas nas não leituras. A primeira refere-se ao tamanho do nosso Conselho Editorial, atualmente composto apenas por editor, editor-assistente e um terceiro editor-leitor do meio literário, fora da nossa redação, consultado em casos de dúvidas mais complexas sobre o material submetido para análise. Somos dois (mais um, eventualmente) diante da vida e de uma pasta chamada “[0] Avaliar”, crescendo diariamente como a sede ao longo de fevereiro. Podíamos ser mais? Sim. Sem remunerar? De forma alguma.

O segundo aspecto é que recebemos muitos, muitos, muitos textos absolutamente ruins, equivocados, crus, fora das nossas normas básicas; textos que fariam corar estudantes do 4º Ano do Ensino Fundamental. São textos de política partidária mais afeitos ao cotidiano dos portais; textos sobre a primeira gestão do presidente de uma associação médica de Curitiba; textos escritos literalmente para o jornal da faculdade; textos que os autores queriam enviar para o outro jornal de literatura que também começa com a letra R; textos em que a bio (a qual sempre enfatizamos não ser necessária) parece ser mais importante que o texto.

Você deve saber por intuição ou por execução: ler diversos textos ruins, na sequência, um atrás do outro, é como caminhar descalço no asfalto; os cinco segundos intermináveis do cotonete do exame PCR no seu nariz; a sensação de acordar sem sentir o braço; o prelúdio turvo da sentença “quer ouvir algo desagradável agora ou conversamos depois?”.

Temos orgulho e medo da pasta “[0] Avaliar” e nunca negamos que somos um jornal de base. Muitos escritores e escritoras começaram suas trajetórias publicando em nossas páginas. Muitos sequer tinham passado pela experiência de ser remunerados por ligar uma palavra à outra, embora seja plenamente possível fazê-lo nos maiores jornais de literatura do Brasil sem receber um centavo. Enfim, sabemos que somos cancela de pesagem.

De modo algum negamos a satisfação de, em meio às trombadas desleais e aos jogos de corpo com vantagem para a defesa, encontrar aquele texto matador, redondo, que para em pé; o texto divertido, envolvente, estranho, porém “belo como o encontro fortuito de uma máquina de costura e um guarda-chuva sobre uma mesa de dissecação”, tal qual alegava o Conde de Lautréamont perante o que consideramos a ideia máxima de afetividade. São os textos bons que nos fazem esquecer que somos editores, que emulam a nossa velha vontade de simplesmente ler algo prazeroso (com todos os subjetivismos implícitos) e de dizer “olha isso aqui, olha isso aqui”.

Acerca da nossa aversão às redes sociais, damos alguns passos na direção de aproveitar mais os benefícios e as facilidades das novas ferramentas, mesmo que sintamos certo desconforto em ser insider daquilo que nem queremos conferir tão de perto. Paralelamente, temos algumas ressalvas em relação ao VAR. De todo modo – e mais importante que isso, ao menos para nós –, subimos todas as edições da história do RelevO em nosso próprio site. Também estamos subindo todos os textos dos diferentes ombudsman.

Antes de tudo, somos um jornal impresso, envolvido na materialidade do ciclo mensal, com custos físicos, datas-limite. Não somos um projeto paralelo ou um hobby. Temos muitas informações sobre o nosso meio e nosso público e planejamos a nossa continuidade de acordo com as intempéries que se apresentam. Em meio a isso tudo, tentamos ser novos sem ser efêmeros, tentamos ser atuais sem abrir mão da nossa forma de ser e estar no mundo. O problema do VAR continua sendo os operadores.

Boa leitura a todos.

11 anos e um segredo

Editorial extraído da edição de janeiro de 2022 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos editoriais, clique aqui.


Nos últimos dias de 2021, o RelevO solucionou uma dor de cabeça distante, daquelas que insistem em latejar no canto direito da testa e sequer têm relação com a ressaca ou com o dia seguinte de ser estapeado na cama perante o devido consentimento. Pois bem, concluímos o processo de migração de todo o acervo de edições. Em outras palavras, todos os nossos PDFs agora estão disponíveis no site do Jornal, sem depender de qualquer elemento externo. Qualquer um pode verificar agora mesmo em <jornalrelevo.com/edicao/arquivo>. São mais de 150 edições, desde as ordinárias até aquelas que fizemos e realmente não lembramos como ou por quê.

Trata-se de um passo estrutural importante, pois valorizamos nosso próprio trabalho e facilitamos o acesso ao material. Também organizamos informação – o que é inerentemente prazeroso – e a centralizamos em um espaço nosso. Aos poucos, subiremos todas as colunas de ombudsman e os editoriais. Eventualmente, as centrais. Tudo devidamente catalogado (data, autor, edição) e pronto para receber visita, com seus links individuais, visando a uma espécie de panorama digital de nossa produção impressa em pouco mais de uma década. Não podemos dizer que ficaremos com saudades do Issuu, embora ele tenha sido útil enquanto o direcionamento durou.

Para 2022, queremos continuar imprimindo. É a meta primordial – todo ano, sem exceção. No nosso meio, perder de vista a própria existência é o primeiro passo para deixar de existir. Estamos sempre no limite, mas com cautela e segurança; somos o limpador de janela sobre o banquinho de madeira no arranha-céu, com a pele invariavelmente em jogo. Dez anos atrás, queríamos concluir nosso segundo ano; agora, bem mais estruturados (isto é, cascudos), queremos chegar ao 12º – e por aí vai. Não somos o time que classifica para a Sul-Americana e acha que pode pagar salário de Flamengo. Cada novo investimento é uma planilha esmiuçada em detalhes.

Subindo na pirâmide de Maslow institucional, precisamos de metas mais claras para o RelevO como pessoa jurídica. Até que ponto a formalização do Jornal é vantajosa? Existem benefícios suficientes para compensar o tempo e o dinheiro gastos com burocracia? Definir em que ponto nossa brincadeira pode chegar no futuro será determinante para agirmos hoje. Queremos ter um talk show? Um selo de música eletrônica? Promover uma festa com ofurô gigante preenchido por vinho australiano e com dois tigres jovens e mansos para serem montados pelas pessoas mais audaciosas? Sonhamos em ser maiores que a piauí ou nos contentamos em manter distribuição no Piauí?

Enquanto isso, tentamos expandir nosso bolo. Mais leitores, mais assinantes, mais acessos, mais anunciantes: em consonância, esses quatro elementos reforçam um ao outro, formando um círculo virtuoso que, além de permitir nossa referida existência, nos faz perder o medo de olhar para baixo à medida que o banquinho de madeira sobe o edifício envidraçado.

Boa leitura – e um grande ano a todos nós.