Silvio Demétrio: Luto pela poesia

Coluna de ombudsman extraída da edição de dezembro de 2016 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Este resto de epílogo de um ano cruel e tortuoso parece demonstrar um esgotamento do sentido em todos os níveis. Para muito além de qualquer polarização política ou partidária, todos se sentem traídos: seja pelo destino ou pelo acaso com a exorbitante tragédia que solapou as vidas de quem estava a bordo daquela aeronave que levava a equipe da Chapecoense (não há como não falar disso), seja pela decadência exposta de todos os parâmetros aceitáveis para a política em condições democráticas que se demonstrou com as manobras torpes, tanto do Senado com a aprovação da “PEC da morte”, quanto nas “10 medidas para acabar com a corrupção”, que o Congresso transformou a seu bel prazer e conveniências. Daqui em diante são vinte anos de inércia. Uma glaciação tropical. Não há bálsamo para uma ferida assim, especialmente quando o jornalismo é instrumentalizado como dispositivo que arranha a carne exposta do real, pervertendo a dor e a comoção nacional numa passividade bovina da população que se esquece de Brasília, do Brasil e de si mesma. A repetição até a exaustão para que o sentido entre em colapso também.

É aí que se percebe o momento ideal para avaliar o quanto existe de valoroso num jornal que se define pela “linguagem como notícia”. Um jornal de poesia e literatura. Um jornal como ágora estética — encontro de poéticas. Algaravia. Murmúrio do mundo. Glossolalia. É só assim, quando acontece na página uma epifania, que se revela a perspectiva do tempo como via de restauração do sentido. A poesia assim como toda a arte é uma forma de cura. É pelo engenho das palavras que se recupera a fé num mundo, seja ele qual for. Existem vários e eles não se excluem uns dos outros.

O RelevO acerta quando apresenta uma salada dos miolos dessa diversidade. E isto acontece de maneira constante. As páginas da publicação são pluralistas, sempre dando espaço para uma pletora de talentos de diferentes origens, estéticas e recursos de expressão. O periódico não é uma aventura paroquial e incestuosa. Mesmo quando regional, é recomendável a um jornal sempre ser cosmopolita. Mesmo que encrustado na mais febril das províncias. E o RelevO é um cidadão do mundo nesse sentido, basta percorrer suas páginas. A edição de setembro, por exemplo, acertou ao ir do chorinho ao heavy metal. Os textos de Luís Pellanda, Flavio Jacobsen e Karen Debértolis numa mesma edição faz lembrar, e isso é inevitável, os melhores momentos do saudoso Nicolau. Uma publicação de Curitiba para o mundo.

Na edição de outubro um grande acerto foi a publicação do texto do jornalista Diego Antonelli sobre um Paraná que não é nem um pouco pacato. A história da Revolução Federalista e o Cerco da Lapa nos mostram que, tal como no mundo inteiro, por detrás do silêncio de uma paisagem bucólica sempre há o grito sufocado de quem pagou com o próprio sangue o preço da história. E é necessário desmistificar o Paraná. Especialmente quando se cria uma aberração ideológica como a “República de Curitiba”.

Em alguns momentos de vulnerabilidade, o jornal pode pecar talvez por essa vocação paroquial que não é sua, mas do próprio Paraná. Estamos todos imersos no mesmo espírito do tempo e acabamos por contrair suas contradições. Talvez seja hora de expandir o alcance não só da circulação, mas também da abrangência do que se mostra em suas páginas. Existe toda uma cultura subterrânea para além do Paraná e que está ávida para encontrar espaço de expressão. O RelevO pode se tornar essa bússola continental. Encontrar interlocução com uma literatura e uma poesia que são estrangeiras dentro do próprio país, como a verve crua e cortante do maranhense Nauro Machado. O trabalho valoroso do editor Gabriel Cohn com sua Azougue no Rio de Janeiro, assim como a Editora Sete Letras e, porque não, até a Revista Cult. Não existe concorrência nesse meio, senão confluência. Vamos nos juntando até nos tornarmos atlânticos.

Escrevo esse texto para exorcizar as sombras desse mórbido fim de novembro na história do jornalismo e do esporte, assim como na política brasileira. Precisamos nos reinventar. Sempre. Não dá para esperar vinte anos. O avião pode cair a qualquer momento. Do luto, lutemos.

Ben-Hur Demeneck: Uma peça de museu

Coluna de ombudsman extraída da edição de dezembro de 2014 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Walter Bach publicou um belo texto sobre este periódico no portal Escotilha (“A persistência do Jornal RelevO”, 22/10/2015). No entanto, dormiu quando falou do ombudsman. Escreveu que o jornal tem “até um ombudsman, quase peça de museu em nosso tempo”. Antes fosse, meu caro. Antes fosse! Parece até que falava de copidesques ou de tipógrafos. Embora, convenhamos, os copidesques têm feito muito falta nessa terra desrespeitosa à língua portuguesa que se tornou a imprensa nacional. Pensar que faz pouco mais de 25 anos que surgiu o primeiro ombudsman no Brasil e de lá para cá a moda não pegou. A Gazeta do Povo teve ombudsman? Quando a Globo teve ombudsman? A Record? A Folha de Londrina, talvez? Aliás, em que mundo do futuro a Rede Massa terá um ombudsman? No interior do Brasil, só conheci o caso do Jornal da Manhã (de Ponta Grossa) e de jornais-laboratório. De capitais, sei que Fortaleza tem (O Povo), São Paulo tem (Folha de S.Paulo), Nova York tem. Sonhemos com o dia em que “representantes de leitores” se tornem coisas antigas no Brasil, pois, por enquanto, correm o risco de nem entrar no catálogo de uma mostra experimental. Recomendo a leitura do artigo e do portal. Ambos são muito bons.

 

Sobre o humor 

O humor e liberdade de expressão são parceiros. Humor fajuto e tédio são irmãos siameses. Talvez o único limite do humor seja o de ser verdadeiro e, claro, passear pelas ideias, não escolher pessoas e tipos por alvo de humilhações, por exemplo. Não estamos falando de agressões, estamos falando do que dá aquele nó lógico na cabeça e nos faz pensar “bem bolado”. O Editor-assistente achou a edição de humor muito fraca e adolescente. Segundo ele, perde-se espaço para literatura boa quando apostamos demais em humor. A crítica dele é válida e deve ser considerada. Se algum texto ficou devendo na sua autenticidade, merece o selo de canastrice. Mas humor deve ser considerado, só é preciso achar a mão.

O brasileiro médio em geral não é de lotar peças de teatro dramáticas, nem de dar audiência a tragédias. Há certo consenso que o humor lubrifica as relações sociais. É como se o brasileiro já não fosse por demais sociável e não precisasse ficar um pouco mais calado e observador, de vez em quando. Que participa ou testemunha do humor escrachado ou do melodrama. Um texto como “Menino Lobo”, de Marco Aurélio de Souza dá uma dissertação de mestrado. Saber como o jornalismo cultural hoje não só vira o domínio do Ctrl C + Ctr V, mas que simula entrevistas cuja matéria-prima são mentiras deslavadas. Ou seja, será que é preciso fazer piada quando até o mais provinciano jornal coloca o absurdo sob holofotes? Os humoristas precisam ser bons, é só isso que devemos cobrar deles. Porque a realidade não está dando trégua.

 

Sabedoria krenak 

Aílton Krenak vive num outro tempo. Aílton é multidialetal, poliglota, politizado e ainda sabe contar uma história por muitas horas – e quem sair dali vira lobisomem. O Aílton realmente sabe fazer chorar. Quem não aspira a sabedoria desse líder que canta para o céu subir e consegue o que quer? Como a gente pode se tornar um dele? Como seria possível assimilar a sua cultura numa velocidade como as atléticas de engenharia assimilaram o rúgbi? Como? Perguntas que não sabemos responder. Graças à nossa incapacidade de entender os “povos originários”, a gente fica falando bobagens em vez de chama-los para a conversa e ouvi-los. Quantos desses a gente vê em feiras literárias, lançamentos, palestras ou compartilhados em nossas timelines? Vejamos: Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Cristino Wapichana, Kaká Verá, Eliane Potiguara, Aurilene Tabajara, Edson Kayapó, Edson Krenak, Tiago Hakiy. As ilustrações de Denilson Baniwa? Quantos irão aparecer em nossas recordações do Facebook e nos presentes de amigo secreto? Não basta a gente achar o máximo ouvir “Koangagua”, dos Brô MC´s. Nem Curtir e Compartilhar o videoclipe deles feito nas aldeias Jaguapiru e Bororó, lá em Dourados (MS). Não basta descobrir que “Koangagua” significa “Nos dias de hoje” e que para um rap cantado em guarani não tem nada melhor mesmo que ler a legenda. Não basta achar cult, tem que entender.

 

RelevO Capital

Se a CartaCapital tivesse um assinante para cada cem replicadores dos seus conteúdos, ela seria (de longe) a revista mais estável do país. Moral da história: todo mundo quer “mudar a comunicação”, mas apoiar o que já está fazendo a diferença não dá lá muito ibope. O mesmo pode ser dito do RelevO.

 

INSS

O ISSN por enquanto não saiu. O ombudsman continua cobrando a equipe editorial para que o RelevO seja lido em cada canto do mundo a partir do momento em que for impresso o código de barras mágico. O editor disse que está correndo atrás da papelada. #EstamosdeOlho

RelevO 5 anos: The best of ombudsman

Coluna de ombudsman extraída da edição de setembro de 2014 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Critérios de seleção: nenhum

 

Osny Tavares: março de 2014

É um tempo interessante para ser jovem. Tudo parece aberto à refundação e cada pequeno setor da vida abriga um comitê repleto de delegados a discutir até as cláusulas pétreas da vida. O que era automático, uma imposição da cultura sobre a qual não se refletia, torna-se um ato político. De mastigar um bife a torcer pela seleção brasileira na Copa, o indivíduo é desafiado pelos significados sociais de seus atos. O que é ótimo, pois parece um caminho necessário à lucidez.

Penso que a literatura, e principalmente do tipo que fazemos aqui, tenha um papel importante em estabelecer um conhecimento mútuo entre os atores. Por dois motivos: primeiro, o imediatismo do periódico mensal dedicado ao texto curto permite uma reflexão quente, mas já com certo arrefecimento de ânimos. Por vezes, a contagem de dez segundos é insuficiente para recuperar a ponderação. Em um mês, entretanto, é possível contar até 2,6 milhões.

Não defendo, claro, que o jornal se torne refém de uma pauta de acontecimentos imediatos e se preocupe em caricaturar o real em pseudoliteratura. Mas é inegável que os fenômenos que presenciamos atualmente representarão parte significativa de nossa identidade de época.


Lourenço Pinto: julho de 2014

Não há literatura sem leitores, assim como não há idolatria a David Luiz sem sérios problemas gerais de interpretação. Os textos, enfim, também melhoraram muito, sustentados por uma base maior de colaboradores, interessados e curiosos. O que começou como mezzo belo projeto, mezzo belíssimo pretexto para o editor enviar e receber poesia de belas mulheres, já se transformou em mezzo belo projeto, mezzo belíssimo pretexto para o editor enviar e receber poesia de belas mulheres, porém com maior qualidade no texto e, suponho, das mulheres (carece de fonte).


Whisner Fraga: dezembro de 2014

A questão que se levanta e que deve ter assustado todos os resenhistas de jornais literários é: até que ponto o crítico pode escrever o que bem entende de uma obra? Até que ponto o escritor pode se melindrar com uma resenha negativa? Bom, responder estas perguntas, quando ficam no âmbito pessoal, é fácil. Cada um faz o que quer quando o assunto se restringe a questões de frivolidade. O complicado fica para quando o autor decide levar a questão à justiça.

O escritor pode processar um resenhista que escreveu uma crítica depreciativa, mesmo que feita com argumentos razoáveis, dentro de parâmetros e pressupostos praticamente científicos? A resposta é sim. Existe advogado é para isso mesmo. E o juiz, como se portaria diante de uma demanda desse naipe? Como não tenho conhecimento de caso semelhante que tenha sido julgado em qualquer instância, não posso defender nenhum tipo de questionamento, a não ser que me causa muito estranhamento que um ficcionista ou poeta se posicione desta maneira.

Como, todavia, se trata de um caso fictício e como o jornal RelevO jamais passou por situação semelhante, venho publicamente me desculpar por esse texto completamente desconexo e inútil e pedir a todos os leitores e contribuintes deste conceituado periódico, que não deixem a literatura nunca chegar a este nível e que rechacem com veemência qualquer tentativa de ridicularizar uma arte que já deu ao mundo presentes como “Grande Sertão: veredas” e “Dom Casmurro”.


Carla Dias: junho de 2015

Compartilhar discos, filmes e livros com os amigos, não somente por meio de indicação ou empréstimo, mas também os presenteando com esses itens, faz parte da minha realidade desde que comecei a trabalhar.

Sim, faz tempo.

Independente do meio ou da linguagem, compartilhar gosto pode ser ação catedrática. Durante o processo, aprendemos que o que nos agrada pode ou não agradar ao outro. Ainda assim, é um processo que nos oferece a chance de conhecermos algo novo, como doador ou receptor do conhecimento.

A cada edição do RelevO, conheço alguém novo capaz de me fascinar, o que sempre é um prazer. Dessa forma, tenho dialogado com universos díspares e interessantes. É pessoal a tarefa de passar adiante aquilo que verdadeiramente nos toca e julgamos merecedor de um amigo conhecer. Em uma época em que falar mal é praticamente rotina, passar um gosto adiante pode trazer frescor ao espírito de muitos.

Whisner Fraga: Uma pequena ficção

Coluna de ombudsman extraída da edição de dezembro de 2014 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Suponhamos que exista um livro. E que esta obra tenha sido publicada por uma editora e distribuída em livrarias e outros pontos comerciais. Que o produto seja vendido e que o autor ganhe, de alguma maneira, seus direitos autorais. Que o exemplar possa cair na mão de qualquer cidadão com poder aquisitivo polpudo o bastante para esbanjar sua renda com pequenos luxos. E que, de repente, este leitor não curta de maneira nenhuma o que leu. O que ele poderia fazer? Pedir o dinheiro de volta? Procurar o autor e lhe dizer, um tanto alterado, que perdeu tempo com a leitura? Abrir um processo contra o escritor, que fabricou uma literatura de baixa qualidade?

Suponhamos que a editora deste livro fictício tenha distribuído alguns exemplares para a imprensa. Ou que um crítico literário curioso o adquira em uma megastore de um shopping famoso. E que, como consequência de uma ou das duas ações, seja publicada uma resenha da obra. Aí, podem acontecer duas coisas: 1. O texto analítico é bom ou 2. O texto analítico é ruim. A partir daí, outras duas situações podem ocorrer: 1. O artigo fala bem do livro. 2. O artigo fala mal do livro.

Se o texto analítico é ruim, o escritor pode ficar sossegado e repreender o jornal por ter veiculado algo de péssima qualidade. Mas ele só fará isso se a resenha for ruim, evidentemente. Agora se o texto analítico é bom, aí podemos ter um problema. Se é bom e fala bem do livro, o autor pode dormir sossegado, cônscio de que seu indubitável talento foi reconhecido. Se a avaliação for depreciativa, aí jornal e articulista podem estar com um pepino à mão.

Se o escritor for zen com questões de estranheza e desabono, provavelmente abrirá um Royal Salute, se for um medalhão ou bestseller ou um OldEight se for um iniciante, e beberá um bom gole, enquanto se diverte com a opinião alheia sobre algo que ele criou e sabe, dentro de seus critérios, que tem o seu valor.

Agora, se o autor for arrogante ou mesmo não concordar com a matéria ou com a argumentação, ou quiser fazer um barulho em cima de nada, o que certamente impulsionaria a venda de uns três ou quatro exemplares de seu livro, aí podem acontecer algumas consequências, a saber:

  1. O contista ou romancista ou poeta que teve sua obra desabonada pode escrever uma réplica e exigir que o periódico a publique. Neste caso, dificilmente deixará de fazer notar sua altivez e sua dificuldade de lidar com a diversidade de opiniões.
  2. O contista ou romancista ou poeta que teve sua obra esculhambada pode escrever uma carta e publicar na seção de leitores.
  3. O contista ou romancista ou poeta que teve sua obra depreciada pode entrar em contato com seu crítico, ameaçá-lo com processos, pode publicar um post em seu perfil do facebook, pode ir até as bancas que distribuem os jornais, comprar todos e rasgá-los em casa ou eventualmente queimá-los e assim por diante. A vingança não conhece limites.
  4. Etc.

A questão que se levanta e que deve ter assustado todos os resenhistas de jornais literários é: até que ponto o crítico pode escrever o que bem entende de uma obra? Até que ponto o escritor pode se melindrar com uma resenha negativa? Bom, responder estas perguntas, quando ficam no âmbito pessoal, é fácil. Cada um faz o que quer quando o assunto se restringe a questões de frivolidade. O complicado fica para quando o autor decide levar a questão à justiça.

O escritor pode processar um resenhista que escreveu uma crítica depreciativa, mesmo que feita com argumentos razoáveis, dentro de parâmetros e pressupostos praticamente científicos? A resposta é sim. Existe advogado é para isso mesmo. E o juiz, como se portaria diante de uma demanda desse naipe? Como não tenho conhecimento de caso semelhante que tenha sido julgado em qualquer instância, não posso defender nenhum tipo de questionamento, a não ser que me causa muito estranhamento que um ficcionista ou poeta se posicione desta maneira.

Como, todavia, se trata de um caso fictício e como o RelevO jamais passou por situação semelhante, venho publicamente me desculpar por esse texto completamente desconexo e inútil e pedir a todos os leitores e contribuintes deste conceituado periódico que não deixem a literatura nunca chegar a este nível e que rechacem com veemência qualquer tentativa de ridicularizar uma arte que já deu ao mundo presentes como “Grande Sertão: veredas” e “Dom Casmurro”.