Rafael Maieiro: —

Coluna de ombudsman extraída da edição de dezembro de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


A coluna do ombudsman Rafael Maieiro não foi enviada à redação até o fechamento desta edição. Preenchemos este espaço com uma importante menção ao jornal humorístico A Manha, de Aparício Torelli, mais conhecido como Barão de Itararé, que, aliás, sempre dizia: “Terão que passar por cima de nossos cadáveres, que não são poucos” e “O fígado faz muito mal à bebida”.

Rafael Maieiro: “MOSTRAR MAIS”? (2) — Rafael Maieiro impudica

Coluna de ombudsman extraída da edição de novembro de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


“e espero que eu jamais alcance / a impudente idade do bom-senso”

Versos de Maiakóvski que pegam bem só até uns 40? Ou a impudica idade do bom-senso corrói as entranhas da poesia nacional, inclusive, deste jornal? Sorriso maroto quase envergonhado, um café com o dedo em riste.

Rafael Maieiro: OMBUDSMAN, “MOSTRAR MAIS”? —

Coluna de ombudsman extraída da edição de outubro de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Vanessa, te responderei por e-mail. Motivo? Espaços de economia. Aliás, eventuais interlocutores: escrevam para o RelevO. Em novembro, mando outro xis impresso por aqui. No último mês do meu mandato, dezembro de 25, faço um balanço com mais de 280 caracteres. Ainda estou ouvindo?

Rafael Maieiro: Panelinha furada

Coluna de ombudsman extraída da edição de agosto de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Entrevista com Zeh Gustavo, o ex desta coluna

Meu irmãozin, seguinte: o RelevO é um pasquim muito necessário, né? O doido do editor faz o corre de editar um impresso independente, sobre literatura, em plena barbárie. Diga aí…
ZEH GUSTAVO (ZH) — Deixa de ser puxa-saco, cara! Não percebe que é tudo narcisismo do editor? Que se a terapia estivesse em dia, este jornal já tinha ido pro saco, ou pra internet? A gente embarca porque tá na mesma merda dessa inadequação de sermos uns desnaturados que nem se esforçam para malhar o intelecto no que realmente interessa, ou seja, publicar em revista padrão A1 na Sucupira, quiçá fazer aquele pós-doc sanduba e torcer pra depois não virar Uber.

Pois é… Tem aquele rapaz da paçoquinha que diz coisas bonitas sobre livros numa canção. Taca até um pela janela, lembra? Cult. O foda é receber um calhamaço no meio do cucuruco, do nada. Me diga: livros com asas ou um livro na cabeça desvoando de um edifício?
ZH — Muitas referências aí juntas, deixa eu processar (a-do-ro! estes terminhos sacanas da moda!). Não lido com amendoins em geral. Livro com asas, sempre. Livro-pombo. Que coma do lixo. Já os edifícios, eles também desabam, como diz a sambista Patativa (do Maranhão). Ela bem viu isso acontecer, e muito. Canto sobre, inclusive – mas você, como bom amigo, só vai ouvir uma vez meu disco e olhe lá!

Esta coluna é (ou seria) a Ouvidoria do jornal, o espaço do tal do ombudsman. Atualmente, eu. Tu já pegou esta tarefa. Mas acho que só dois leitores entenderam isso, conheço um, o tal do Jurupinga. O que é esse troço de ombudsman?
ZH — Momento emocionado (ó o narcisismo aí, gente!): pra mim, foi um sonho realizado. Mas é um fóssil, mesmo no RelevO. Ou quase isso. Eu tive somente uma coluna com boa repercussão dos leitores – porque, em sua maioria, são também autores, e nela abordei a temática da naturalização da figura do autor-pagador. Voltando ao fóssil: a comunicação real, ela quase acabou, neste mundico hiperconectado-hipossensível. Fica quase uma Ouvidoria sem reclamantes. Uma pena.

A vida é dura
perdura
mas dura
verde
podre
madura

Ainda, sim, sem cura
ela bate asas às lagartas
reinventa o ciclo vital das moscas
diariamente?
namora o sorriso do poste de luz
quase pisca sem parar no subúrbio dos corações

Um passeio pelo abismo da palavra sem fazer dele uma morada cinco estrelas
será um chamado para a canção?

Responda em versos, rs
ZH — Eu? Tô fora! Ando praticando o detox. E com aquele olhar vazio, nenhum sinal de emoção da música do Paulinho da Viola [Não quero você assim], então a coisa da poesia, aí ela emperra. Justo quando a vida emperrou, de fato. Deve ser da velha e antiquada dor de amor. Que hoje chamam luto. Luto pra lá, luto pra cá… Deve ser efeito do tal ciclo vital das moscas de que você falou.

Este poema é nosso ou do RelevO, já que ele não paga as nossas contas?
ZH — É teu! E na conta do editor. Nem te indiquei!

Arruma um BO com os leitores do RelevO por mim? Nossa amizade vale isso?
ZH — Só de tu me entrevistar pra deixar de falar dos textos da edição passada já não dá um beozinho não?!

Vamos comprar uma canoa furada?
Uai, não estamos, já, todos, aqui ao menos, nela?! E, paradoxalmente: sequer, mais, conseguimos afundar. Vamos boiando. E tentando, em geral inutilmente, desviar da pedraria posta no trajeto, enquanto vemos o mundo que nos forjou como tais – para o bem, para o mal – ir secando devagar.

Rafael Maieiro: Lajotas quebradas no subúrbio do jornal

Coluna de ombudsman extraída da edição de julho de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Alguns comentários sobre a edição de junho?

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

CRUZ E SOUZA (RelevO, junho de 2025, p. 24)

O trecho me lembrou:

Por instantes, imagino como seria maravilhoso arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes. Encher a noite com fogos de artifício. Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saísse arco-íris. Um arco-íris que cobrisse a Terra de um extremo ao outro. E os aplausos dos de cabelos brancos, das meigas criancinhas.

MURILO RUBIÃO (O ex-mágico da Taberna da Minhota, não publicado na edição de junho do RelevO)

*

Rafael Sica, o ilustrador da edição de junho de 2025, traçou sua distopia. Ou seria uma espécie de Baixa Distopia? Por exemplo: na página 18, as cercas estão arrombadas. Na página 19, uma criança mija nos destroços de um tanque.

*

Isto me lembra:

A vida nós a amassamos em sangue
e samba
enquanto gira inteira a noite
sobre a pátria desigual. A vida
nós a fazemos nossa
alegre e triste, cantando
em meio a fome
e dizendo sim
— em meio à violência e à solidão dizendo
sim —
pelo espanto da beleza
pela flama de Tereza
pelo filho perdido
neste vasto continente
por Vianinha ferido
pelo nossa irmão caído
pelo amor e o que ele nega
pele que dá e que cega
pelo que virá enfim
não digo que a vida é bela
tampouco me nego a ela:
— digo sim

FERREIRA GULLAR (Digo sim, não publicado na edição de junho do RelevO)

*

Aliás, Bolívar Escobar, obrigado pela lixeirinha com o ícone da coluna anterior (edição de junho). O espaço é exatamente isto: um repositório das críticas dos leitores. Já que o correio não está funcionando, que tal uma lixeira? Escrevam. Amassem. E… De três pontos, Magic Leitora?

*

sentes a fome, Virginia?
os ossos finos da minha mão
sobre a fonte que te eterniza

(…)

são perecíveis todas as coisas exceto os olhares

ISABELA ORLANDI (RelevO, junho de 2025, p. 22)

Mal fica sozinho no banco, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Depois, leva-o para casa e no caminho aproveita-o para embrulhar um molho de acelga, que é para o que servem os jornais depois dessas excitantes metamorfoses.

JULIO CORTÁZAR (O jornal e suas metamorfoses, não publicado na edição de junho do RelevO)

*

Continuo comprando porque é barato e de vez em quando preciso de uns jornais para embalar uns troços.

RelevO, junho de 2025, p. 13

*

Lajota amarela:

— Leitor, quer dizer alguma coisa sobre o jornal? Bolinhas de papel na seguinte lixeira: contato@jornalrelevo.com

*

Impressos podem ser úteis em tempos de guerra.

*

O que seria Relevo?

RelevO, junho de 2025, p. 13

Rafael Maieiro: Era para ser um grito, mas é apenas uma nota

Coluna de ombudsman extraída da edição de junho de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


Este espaço só faz sentido se for feito em interação com o leitor. Até o momento, no meu mandato como ombudsman, não consegui iniciar um diálogo com o leitor do RelevO. Acredito que isso se deva a dois motivos essenciais, que listo a seguir:

  1. A falta de tradição do cargo de ombudsman no Brasil.

“Ombudsman é uma palavra sueca que significa representante do cidadão. Designa, nos países escandinavos, o ouvidor-geral, função pública criada para canalizar problemas e reclamações da população. Na imprensa, o termo é utilizado para denominar o representante dos leitores dentro de um jornal.” (O que é o cargo de ombudsman? Folha de S. Paulo, 2014)

2. A falta de clareza sobre qual canal deve ser utilizado para essa interação (leitor/ouvidor).

Por isso, nobilíssimo leitor, vamos conversar sobre os pontos negativos e positivos do Jornal?


Envie e-mails para:

contato@jornalrelevo.com
Assunto: Ouvidoria


E mande ver! Vaias e xingamentos são bem-vindos.

Até lá!
E n…

Rafael Maieiro: Kamehameha de papel

Coluna de ombudsman extraída da edição de maio de 2024 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos ombudsman, clique aqui.


O RelevO (orelhas de abano?) que você tem em mãos já não é apenas um impresso, é uma plataforma transmídia que encontra seu auge no formato de bolinha de papel.

Esse formato, poderia dizer, essa persona do ser social rs), nos acompanha desde o simples jogo escolar, bem antes da 5ª série, e até agora, como protagonista de atentados terroristas.

Faz a janelinha! Bem me lembro, jovens leitores, quando ela acertou a careca de um candidato à Presidência, o levou ao hospital, com cobertura de toda a mídia. Olhando de hoje, posso afirmar que foi a polêmica jamais vista do VAR. Daquela vez, a simulação foi revelada. Não entendeu? Transmídia? Dá um Google. Ou pede um QR Code.

Por isso, senhoras e senhores, não se enganem: o RelevO, com suas armas de destruição em amassa, é uma célula literário-humorística (CeLiHumor) que põe em risco a segurança nacional. Golpistas de plantão, neonazis e afins: abram o olho sobre as intenções deste Jornal! Esqueçam o Lula e o Xandão!

*

Já que não taxam as grandes fortunas, vamos tachar os grandes escritores:

— Eu queria ser palhaço.
— Você? Não seja ridículo. Vida de palhaço não tem graça. Você acha fácil fazer cem pessoas caírem na gargalhada? Continue dando capim aos elefantes e carnes ao tigres.
[…]
Um dia, o palhaço, seu amigo, chegou e disse, bem baixinho:
— Vamos fugir daqui.
— Mas não é perigoso?
— Afinal, garoto, você quer ou não aprender a arte da guerra?
Só então o garoto reconheceu no palhaço o velho da ponte. E ficou muito confuso.
— Quando você acha que a gente deve tentar fugir? – perguntou o velho.
— Bem, de noite, quando todo mundo estiver dormindo e tudo estiver escuro.
— Você não aprende mesmo, hein? De noite é a hora em que os guardas estão com os ouvidos como os de um tigre. Qualquer movimento, qualquer ruído, estamos perdidos. Vamos fugir amanhã de dia, na hora que ninguém imagina que alguém iria fugir. É a nossa única chance.
— E se não der certo?
— Então os tigres vão ter cozido no almoço.
(LEMINSKI: Guerra dentro da gente, Editora Scipione, 1990, p. 19-20)

*

Outros comentários sobre a edição passada (abril) ou quase:

[bolinha de papel standard] • p. 23

Sim, o RelevO tem QR Code. Evitem esse recurso: ele nos rouba a alma.

[bolinha prateada de papel de cigarro] • p. 8

“santa maré, mãe das rochas / e lantejoulas caídas de estrelas”. Este verso, aquele poema de Piera Schnaider valeu por quase tudo que eu já li no RelevO.

[pequena bolinha de papel na agulha de um zarabatana-bic] • p. 3 [cartas]

Centrar fogo na orelha direita dos coleguinhas do Rascunho!

[recorde mundial de embaixadinhas com bolinha de papel] • todas as páginas

Tá repetitivo, eu sei. Mas a integração entre artistas visuais (na edição em questão, Oli Maia) e projeto gráfico (Bolívar Escobar) está cada vez melhor. Uau de uau mesmo.

[bolinha bet] • página secreta

Um dos contos me irritou bastante. Odd 171. Adivinhem!

[a bolinha de papel de Zenão] • p. 5

Os inúmeros arremessos deste colunista nunca chegam ao alvo, a testa do leitor. Mais um engarrafamento no Rio de Janeiro.

Não assassinado,
Defunto autor