Editorial extraído da edição de outubro de 2026 do Jornal RelevO, periódico mensal impresso. O RelevO pode ser assinado aqui. Nosso arquivo – com todas as edições – está disponível neste link. Para conferir todas as colunas de nossos editoriais, clique aqui.
Quando vi o convite do Daniel Zanella, editor-chefe do maior jornal literário falido do país, para receber o bastão de ombudswoman de Priscila Branco, escritora, editora e pesquisadora vegana que pinta divinamente um urubu em acrílica sobre tela, pensei “opa”.
Isso aqui, rapaz, é pra quem ama reclamar. E eu nasci pra reclamar. Além disso, sou sergipana radicada em Brasília, colagista, escritora, editora da Revista Desvario, colunista da Revista Cassandra, co-organizadora do Sarauê/DF, enfim, essas coisas de minibio que não são unanimidade no RelevO.
Precisei me atualizar dos barracos ocorridos nas últimas edições para poder reclamar direito. Podem até me acusar de sororidade, mas nossa última ombudswoman sempre esteve certa. Acho até que ela me deixou pouca coisa pra tentar ajeitar nessa bodega.
Fato é que a manutenção da ouvidoria em um jornal literário impresso e digital segue merecendo fortes aplausos e assobios em uma sociedade que não necessariamente sabe assobiar sem tutoriais do TikTok e vem crescentemente consumindo informação no formato digital, onde a mensagem pode transitar entre emissor e receptor sem mediações cuidadosas. Embora se fale muito sobre alcance no âmbito das estatísticas de redes sociais, a temporalidade exígua do diálogo gerado por um conteúdo digital enseja uma provocação no sentido de compreender a reverberação da mensagem.
Dentre a miríade de coisas que podem ser feitas nessa coluna com nome chique, recapitular a edição do mês anterior para trazer um apanhado das perspectivas de diálogo entre pessoas leitoras e escritoras é não somente uma forma de mediação da mensagem do RelevO, mas de construção de um microarquivo e manutenção da memória do conteúdo, que reverbera no próprio processo editorial. O diálogo não morre no comment ou no like e a mensagem não se resume ao número de repostagens, que pode ser tão irrisório quanto a finitude de uma ombudswoman. Mas o conteúdo da última edição do Jornal atua como sua própria ferramenta de análise de desempenho em um uso prático das possibilidades de construção de um arquivo literário, impresso ou digital.
Dito isso, não terminei de ler a edição de setembro e, portanto, não posso fazer uma recapitulação que preste. Então, só me resta mesmo reclamar, que é, afinal, minha função. Gostaria de reclamar que, embora o leitor Luis Felipe Mayorga tenha demonstrado carinho pela foto do senhor infartando com as contas no vermelho na página da prestação de contas, precisamos diversificar a representação de gênero da falência por meio da inclusão, em alguns meses, da imagem de uma senhora infartando.
